quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A metáfora

Em nossas vidas, o esplêndido sentido que damos as coisas (verdadeiros retalhos de nossas emoções) que nos fazem alegres e contentes,tristes ou apaixonados, é o bem primordial de nosso ser, o processo que gera os processos que nos individualiza.
Do vento pálido, sem pressa, que aflora, em uma tarde na varanda, na pele de uma senhora cuja memória a faz retornar para um momento distante, que a faz chorar serenamente, esperando que seu falecido companheiro a resgate do eterno tempo. Do tempo pálido, sem pressa.
Essas experiências são renovadas pelo exercício imaginativo que causa tanto fulgor no ser humano, assim uma mesma rosa, pode ser inocente ou esbanjar malícia, a mesma pedra que no caminho fora posta, se percebe atrevida ou distante, ou passa despercebida.
Quando carregamos esse "fogo implacável" - da criatividade- sentimos seu ardor de forma profunda o suficiente para esses sentimentos confusos irromperem em nossa realidade do hábito, do movimento acostumado e do pulso constante e, tão de repente que irrompe, começamos a imaginar as coisas de outra forma,talvez mais poética e cortante, vibrante, reorganizamos nossas vidas de acordo com a intensidade desse fogo.
Tanto que, devido a vida-rotina como uma "roda de fogo" que deve ser mantida em movimento para dissipar o fogo e torná-lo tácito e ameno, a fim de que não perturbe o "movimento constante" . Aquele que empurra a roda -todos nós, vive para isso (condição da vida-rotina), e quando exalta-se altera assim a força que gera esse movimento, pelo fulgor intenso de qualquer paixão (fogo primordial da imaginação), o que provoca uma desordem cujas consequências são imprevisíveis. Daí resulta todo essa urgência, esse "grito contido" de angústia que, creio, todos passamos por esses conflitos:
Manter o movimento constante, ou arriscar-se em qualquer aventura, guiado pelo coração?
Controlar as inclinações mais profundas do espírito ou respirar fundo, fechar os olhos e dançar no escuro?

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