Em nossas vidas, o esplêndido sentido que damos as coisas (verdadeiros retalhos de nossas emoções) que nos fazem alegres e contentes,tristes ou apaixonados, é o bem primordial de nosso ser, o processo que gera os processos que nos individualiza.
Do vento pálido, sem pressa, que aflora, em uma tarde na varanda, na pele de uma senhora cuja memória a faz retornar para um momento distante, que a faz chorar serenamente, esperando que seu falecido companheiro a resgate do eterno tempo. Do tempo pálido, sem pressa.
Essas experiências são renovadas pelo exercício imaginativo que causa tanto fulgor no ser humano, assim uma mesma rosa, pode ser inocente ou esbanjar malícia, a mesma pedra que no caminho fora posta, se percebe atrevida ou distante, ou passa despercebida.
Quando carregamos esse "fogo implacável" - da criatividade- sentimos seu ardor de forma profunda o suficiente para esses sentimentos confusos irromperem em nossa realidade do hábito, do movimento acostumado e do pulso constante e, tão de repente que irrompe, começamos a imaginar as coisas de outra forma,talvez mais poética e cortante, vibrante, reorganizamos nossas vidas de acordo com a intensidade desse fogo.
Tanto que, devido a vida-rotina como uma "roda de fogo" que deve ser mantida em movimento para dissipar o fogo e torná-lo tácito e ameno, a fim de que não perturbe o "movimento constante" . Aquele que empurra a roda -todos nós, vive para isso (condição da vida-rotina), e quando exalta-se altera assim a força que gera esse movimento, pelo fulgor intenso de qualquer paixão (fogo primordial da imaginação), o que provoca uma desordem cujas consequências são imprevisíveis. Daí resulta todo essa urgência, esse "grito contido" de angústia que, creio, todos passamos por esses conflitos:
Manter o movimento constante, ou arriscar-se em qualquer aventura, guiado pelo coração?
Controlar as inclinações mais profundas do espírito ou respirar fundo, fechar os olhos e dançar no escuro?
Empurrando a roda de fogo
Empurrando a roda de fogo empurrando empurrando empurrando ...
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Só acredito na paciência
Empurrando a roda de fogo
Você é a pessoa certa.
Caso seja você esta pessoa -vai ter q ler tudo, bem-vindo a essa primeira postagem. Não sei o que pretendo com esse blog, mas eu gosto de escrever e talvez você goste do que eu escreva e vice-versa...
Espero que, se ao menos, te interessar, comente, xingue, dê-me um feedback, assim eu posto mais, te xingo de volta, etc...
E seila, foda-se a religião.
Concreto e desarmado
Viajo pelas duras vielas ,o cobre aqui é fosco e o sol não o faz brilhar. A noite, a esperança renasce e com ela, a morte é adiada, mais uma noite ambígua. O claro de minha mente esvai-se na escuridão da realidade, na atmosfera densa e úmida dos subterfúgios de concreto racional.Até sinto inveja dos ratos grosseiros que simpatizam com resquícios da rotina difusa de pessoas normais, restos quase artificiais de frutas atiçam esses roedores, não ouso escolher a palavra "lixo" para essas pilhas de energia desperdiçadas, os ratos se ofendem facilmente. Queria poder ajudá-los, dotá-los de consciência, mas para quê?
Trazer-lhes mais miséria? Prefiro me imaginar como um deles, subindo e descendo pelo complexo sistema de esgotos, atentando-se as migalhas, vida simples e corriqueira, e nem por isso detestável. Mas não posso ser um animal esplêndido, estou preso a minha vida. Amargamente, ainda tenho forças para manter-me vivo e são, imprestavelmente vivo por muito mais que esperava. Tanta razão afinal, não remediou ,tampouco conteu,a irracionalidade inerente a nós.
Temos prioridades tão absurdas que simplesmente não encaramo-as. Quem realmente gosta do que "faz" (trabalho)? Depois de pouquíssimo tempo percebemos que nossas trepidações do espírito foram depositadas em uma falsa glória que apenas movimenta a conta bancária (mais a de um ou outro do que a nossa). Ainda acreditamos que "tudo gira em torno do dinheiro", irracional meus amigos, irracional. A inclinação a esse gosto fere nossa alma e assim acabei desgastando a minha, a razão (aquela intrínseca ao espírito) é negada atualmente. Não é quase surpreendente que busquemos caminhar para um paraíso que está afinal, dentro de nós, renegado? Talvez ainda tenha quem não acredite que a sociedade sobrecarrega-nos, que basta a força de vontade para mudar o mundo. As palavras e nossos sentimentos estão conectados, assim como nossa vontade de devir-à-ser aquilo que desejamos (quando tácitamente estamos em nossa superficial "reflexão") para com as frustações e anseios tomados como exclusivos e particulares. A nossa biografia será, com tento, revista à partir do conceito (que eu não ouso especular) daquilo que chamamos de "hoje em dia", ou apenas "eu". Então mencione humanidade com cuidado da próxima vez que se referir à mediocridade que confortavelmente vamos levando, dia após dia...
Vejas que, qualquer sentimento benéfico que possa me levantar precisa de dinheiro, qualquer verbo, qualquer sentença, menos a que desejo com todo ardor e inocência de uma vida provisória. Vício com ínico e fim, finalmente a causa esfarela em efeito –tão desejado, ausência de qualquer vontade de vida. Deve ser o fim, que, talvez não esteja tão alegre em me ver quanto eu o faço em relação ao mesmo. Lamento não é o que vejo, estou desarmado de qualquer dor e angústia, asfaltado no chão de qualquer esquina dura num ângulo reto de satisfação com a morte que lentamente me consome.
O relógio quebrado.
Quando vi que, posso denovo, poder ter o poder de ver que, posso denovo, ter um momento alegre.
Me enganei,porque meu destino é um só, desejar sem parar nessa vida.
Mentira, a verdade é paralela a balela que entristece meu dia.
No café me misturo, com a vida, só refugo e, trago meu cigarro, trago perigosamente para perto de ti.
Já não basta que, talvez não passe de dez minutos, essa sensação gloriosa que me degenera quando posso tê-la, possuído por ela.
Já é hora de voltar, espero o relógio anunciar que: "não demora, as horas de ser passam depressa..."
Qual o defeito dele? Não me espera acabar de duvidar que isso seja aquilo que outrem chamaria de uma vida, normal, sem defeito
Depressa e frágil, termino a alegria para enfim, começar a gastar no agora, meu dia....
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